O prazer que o obeso sente ao comer é menor que o normal
17 de outubro de 2008 por Camila Guedes
Canal Medicina & Saúde
Pesquisa americana, que se utilizou de milk-shakes, sugere que o fato de pessoas acima do peso comerem mais que o necessário está relacionado à genética.
O estudo que foi publicado na revista especializada Science foi coordenado pelo cientista Eric Stice, que trabalha no Instituto de Pesquisas do Oregon na Costa Oeste dos Estados Unidos. Stice descobriu que uma área do cérebro fica menos ativa quando se está diante de alimentos saborosos, por causa de uma relativa falta de receptores de dopamina, molécula mensageira que está ligada as sensações boas, inclusive a de provar uma comida gostosa.
O cientista acredita que nas pessoas obesos a capacidade de sentir prazer ao degustar um alimento saboroso é menor. Os pesquisadores também revelaram que a escassez de receptores de dopamina está ligada ao chamado alelo A1, variante de um gene que compromete a sinalização de dopamina ao cérebro. De acordo com o experimento quem tem esse alelo em seu código genético está mais sujeito a ficar acima do peso.
Enquanto as participantes do experimento, 43 universitárias e 33 adolescentes, passavam por um aparelho de ressonância magnética bebendo um milk-shake ou uma bebida que não possuía gosto e se assemelhava a saliva, os cientistas observaram uma parte específica do cérebro, o estriato dorsal, que está associado a sensação de recompensa que se tem quando se come um alimento muito gostoso.
A ressonância magnética mede o fluxo de sangue no cérebro que, segundo os cientistas, está diretamente relacionada à presença de dopamina. Considerando isso, os pesquisadores observaram que o estriato dorsal ficava menos ativo nas pacientes obesas quando bebiam o milk-shake e ainda menor naquelas mulheres que carregavam o alelo A1 em seu DNA.
Stice explica que é como se o cérebro dessas pessoas registrasse de forma enfraquecida a satisfação ao comer um alimento gostoso, o que poderia levar a alimentação desregrada que leva à obesidade.
Apesar dos resultados, ainda não se sabe se de fato essa falta de prazer pode conduzir a obesidade. Os pesquisadores acreditam que a questão se trata de um ciclo vicioso, quanto mais a pessoa exagera na comida, menos prazer ela sente e conseqüentemente mais ela come.
A descoberta pode ajudar no desenvolvimento de novas drogas que aumentem a sensação de prazer quando uma pessoa saboreia um prato. Além de prever quem tem mais chances de engordar.














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